segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Desejo

"Era uma vez uma mulher que queria ter um filho muito pequenino, mas não sabia como havia de fazer para encontrar um. Então, foi ter com uma velha bruxa e disse-lhe:

— Gostava tanto de ter um filho pequenino! Não sabes dizer-me onde posso arranjar um?"

Nesse início do conto, temos os elementos comuns dos contos de fadas, príncipes e princesas: há um desejo, quem o busca e quem o realiza. Geralmente, temos a maternidade como geradora do conflito, como em Branca de Neve, Cinderela e outros contos. O desejo que fecunda, desenvolve e nasce, como tudo que é princípio.
É a própria representação do princípio de tudo, portanto. O desejo da mãe de Polegarzinha é quem movimenta a existência da própria história, como uma representação - talvez - da anima junguiana, uma "imagem da alma" que traz o arquétipo da própria vida. E aí entra o profundo significado da Mãe, que o mesmo Jung descreve: “Mãe é amor materno, é a minha vivência e o meu segredo. O que mais podemos dizer daquele ser humano a que se deu o nome de mãe, sem cair no exagero, na insuficiência ou na inadequação e mentira – poderíamos dizer – portadora casual da vivência que encerra ela mesma e a mim, toda humanidade e até mesmo toda criatura viva, que é e desaparece, da vivência da vida de que somos os filhos?”
Não é à toa que a maternidade pontua o desejo que principia os contos míticos. Assim como em qualquer tradição, em todos os povos, é o desejar e o gerar que reproduzem a Criação, movimentando - em cada história - uma jornada específica do ser humano.
Aqui, ouso dizer que a imagem da Mãe, no arquétipo da vida em si, de quem gera as criaturas pelo Poder da Criação, simboliza o início de nossa jornada em busca do amor. Simplesmente, porque cria o ser - através do desejo - que irá realizar a jornada.